“Eu sei viver com pouca grana sem status, pouco luxo,
Sem internet, celular, sem pããão francês.
Meu idioma é português, com muito orgulho um brasileiro.
Viajo o mundo mesmo sem falar inglêêês...”
E você achando que um
pagode não poderia te ensinar nada sobre finanças...
Particularmente acredito
que alguns conceitos para a gestão de empresas podem ser aplicados à economia
doméstica e à educação financeira. Isso porque o departamento financeiro de uma
empresa é o responsável por administrar recursos, controlar os riscos e, por
fim, definir os melhores investimentos. Percebeu? Não é muito diferente do que
seus pais (ou quem tenha desempenhado essa função) fizeram para gerir a casa,
planejar viagens em família etc.

Assim como uma empresa, no
último texto, passamos por uma espécie de “balanço”. Diagnosticamos quanto você
recebe e o quanto empenha com despesas fixas e, por último, o destino do
restante. Venha comigo, vamos entender melhor sobre suas despesas fixas.
Para uma empresa, despesas fixas são aquelas em que os
valores independem do que for produzido ou vendido. Compreendem as contas
mensais que o empresário deve arcar, como aluguel, funcionários, água, etc.
Teoricamente, há quem fracione o conceito de despesa fixa em principais e
secundárias.
Despesas
fixas principais ou básicas são despesas de pagamento obrigatório,
indispensável, que não permite redução de valor. O pagamento do aluguel, por
exemplo, é obrigatório (caso queira continuar tendo onde morar) e, a princípio,
não é passível de descontos ou negociação.
As
despesas fixas secundárias também têm valores fixos, a diferença está na
relevância da despesa, que pode ser eliminada em situações de corte de gastos.
A internet é um exemplo: o valor é fixo e TEORICAMENTE não passível a
negociação, entretanto quando a crise “aperta”, você facilmente pode optar por
planos mais econômicos. O mesmo vale para planos de celular.

Quando
é preciso fazer ajustes no orçamento familiar e pessoal, é normalmente mais
simples (e rápido) modificar as despesas variáveis, reduzindo o consumo. Uma
estratégia adotada pelo departamento financeiro de empresas é a transformação
de despesas fixas em despesas variáveis. Falaremos disso lá no Minuto Simplinvest,
em nosso Facebook e Instagram. Aqui, falaremos do processo mais trabalhoso,
reduzir suas despesas fixas.
O
Dr. Samy Dana, professor da Fundação Getúlio Vargas e autor de diversos livros
ligados a finanças (incluindo o espetacular “10x sem juros”), diz que despesas
fixas tais como supermercado, água, luz, telefone, condomínio, TV a cabo,
internet etc idealmente devem estar limitadas a 50% da renda. Se estiver muito
acima disso, é hora de repensar o padrão de vida para adaptar à realidade da
renda.
- Querido, pufavô.... Meu pilates não é
barato. Real
(Personagem
feminino fictício)
- Por isso que é um frango! Whey bom é caro,
parça!
(Personagem
masculino fictício)
Cale-se!
Não estou propondo falsas economias! Inclusive você sabe o que são falsas economias?
São situações em que você acredita estar fazendo um bom negócio quando, na
realidade, está aumentando sua despesa ou perdendo dinheiro. O conceito é
discutido no livro “Dinheiro pode comprar felicidade”, da escritora americana
MP Dunleavey.
Então se a massa muscular
construída através do suplemento alimentar a base de soro do leite o faz feliz
e produtivo, OK!!!
Não
proponho um corte radical de gastos, mas sim o equilíbrio, o ponto ótimo entre
o que paga, o que recebe e, finalmente, o que realmente consome.

Por
isso, deixo algumas dicas de como economizar em suas despesas fixas:
• Alimentação. Esse é um dos principais gastos! Comer
fora todos os dias pode abocanhar (com o perdão do trocadilho) grande parte do
seu salário. Tente levar comida de casa, a famosa “marmita”, o que a geração
fit popularizou como sinônimo de saúde pode deixar seu bolso bem nutrido no
final do mês (outro trocadilho infame, desculpe).
• Carro. Outra despesa que, em termos populares,
“bate doído”. Entrar no financiamento de um carro só é justificado caso ele
aumente sua renda (seja utilizado para trabalho). Caso seja apenas para passeio,
é melhor poupar e comprar um carro à vista.
Optar
por um modelo mais barato na primeira compra é uma ótima estratégia. Lembre-se
dos gastos adicionais com estacionamento, seguro, manutenção, IPVA etc. Ricardo
Pereira, educador financeiro e um dos fundadores do Dinheirama tem uma frase que particularmente acho fantástica: “brasileiro não é apaixonado por carro, é
apaixonado por status”, pense nisso.
• Aluguel.
Quando se mora de aluguel,
é importante considerar a possibilidade de financiamento para ter um imóvel
próprio. Você vai aprender com a gente a investir, planejar a longo prazo,
estudar as melhores opções... Acredite, um bom planejamento é mais eficiente que
o “Baú da Felicidade” em matéria de casa própria.
• Internet
e telefone. Se
você mora sozinho, tem jornada de trabalho de 8 horas, passa pouco tempo em
casa e utiliza a internet apenas para redes sociais, estudos, Netflix e
download ilegal de seriados, faz sentido pagar por um plano de internet de 100
Mb com 600000 minutos de telefone fixo? NÃO! “Ah cara, mas eu gosto que o filme
carrega rápido no Netflix”. Volte à dica número um: deixe o filme carregando enquanto
prepara a marmita. Qualquer plano (seja celular, internet, sócio torcedor) tem
que estar coeso com sua realidade, do contrário, é desperdício.
• Eletrônicos.
Escolha aparelhos
eletrônicos pelo custo-benefício somado à
utilidade. Uma suposição: o Iphone 12 terá de aprimoramentos uma grelha argentina
onde você poderá preparar um churrasco e escolher o ponto da carne, além disso
ele vem com babá eletrônica... O problema é que você é vegetariano e não
pretende ter filhos. Faz sentido adquirir tal produto? (Pergunta retórica,
pessoal, mas o gabarito é “não”).
• “Condomínio”.
Viver nos grandes centros
urbanos está cada vez mais difícil (leia-se: caro). Condomínios, sejam eles
verticais ou horizontais, geralmente possuem uma taxa popularmente batizada de
“condomínio”. Caso essa taxa seja muito alta, considere fazer parte do conselho
administrativo do condomínio. Sabia que o “Seu Arnaldo” (síndico do prédio no meu primeiro texto) recebe desconto nas taxas do condomínio? Pois é.
• Educação. Eis o mais polêmico dos itens. “Peraí,
agora eu gostei! Quer dizer que posso sair do curso de inglês pra economizar
uma grana?! SHOW! Eu odeio aquela merda sábado de manhã! ”. Não, não é isso.
Educação, com toda a certeza, é o maior
investimento para obter melhor renda no futuro. Na linguagem financeira, é o
ativo com maior rentabilidade que você pode comprar. O que eu aconselho é
buscar outras alternativas. Quer fazer o curso de alguma ferramenta digital
(Excel, Autocad etc)? Tem um “zilhão” de videoaulas no Youtube. “Ixi, mas eu
não tenho essa disciplina não...”, cursos EAD (educação a distância), cursos
ofertados por universidades etc. As opções estão aí, basta explorar.
Espero
ter ajudado. Esta semana não teremos “lição de casa”, apenas tentem aplicar as
dicas acima este mês. Vamos tentar colocar essas despesas fixas dentro dos 50%
da renda?
Esse
é o segundo texto da série “Educando bolsos” aqui no Simplinvest, onde você vai
aprender que sim, é possível investir com pouco. Nosso próximo encontro é sobre
lazer e como se divertir sem colocar em risco sua vida financeira.
Grande
abraço e até logo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário